É um processo interessante quando iniciamos o nosso "trabalho útil" (ou coisa que o valha) no meio da semana. Cheguei hoje à sala faltando dez minutos para o início da aula, apenas para descobrir que estava no lugar errado, que teria aula no pavilhão novo hoje. Visto que a primeira aula da semana é Práticas da Tradução, e tenho tal cadeira em dois lugares diferentes, associei logo que hoje, por ser o "primeiro dia da semana" (é Quarta-feira, Segunda e Terça foram dias de recesso), teria aula na sala de Segunda. Enfim, coisas de gente de distraída. Claro que resultado foi que, de qualquer das formas, cheguei tarde à aula e passei por aquela experiência agradabilíssima que é ser a estrela da turma por vinte segundos. Nossa, quanta emoção.
Apesar disso, as coisas se densenrolaram sem grandes imprevistos. Não me enganei na sala seguinte - entretanto, admito que desta vez tive a sensatez de perguntar se estava na sala certa antes que o professor chegassse. E agora, com um furo de duas horas no meu horário que, possivelmente, deveria ser para almoçar ou algo do genéro, estou trabalhando nesse post ou rascunho de um. Não se enganem. É tudo por conta do tédio. Ultimamente, ando numa lack of creativity tão grande que me sinto capaz de transformar algo deveras fantástico como - sei lá, escalada - em um tijolo.
E, de fato, foi esse tipo de imagem que um amigo meu deve ter tido de uma história que lhe dei para ler, recentemente. Disse-me "eh pá, estou na quinta página e ainda estou à espera que alguma coisa me prenda a atenção". Não fiquei ofendida, mas pensei: "estou há dezenove anos à espera que alguma coisa nessa vida me prenda a atenção". Vai ver esse desinteresse óbvio, esse calculismo cru fica marcado na minha escrita, de alguma forma. Nem sempre, acho. Mas vai ver que, algumas vezes, os meus leitores não consigam prestar atenção nas coisas que escrevo porque nem eu consigo prestar atenção em coisa alguma. Sou dispersa assim, na maior parte das vezes. Quem sabe o que escrevo também é disperso.
Ficarei com a interrogação.
Kissus no kokoro.
